Espiritualidade

Sábado

O Sábado em Colossenses 2

O Sábado em Colossenses 2

Andy Nash

Os adventistas formam o maior grupo de guardadores do sábado. Maior do que outra denominação no mundo, incluindo os judeus. Então, quando o sábado se torna uma questão de discussão entre as pessoas, é importante que possamos oferecer ensinamentos claros e bíblicos.

Uma passagem que sempre foi importante para os adventistas é Colossenses 2:16 e 17: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,
Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.”

 

Alguns enxergam essa passagem como um desafio `a perpetuidade do sábado como sétimo dia, agrupando-o com festas judaicas e luas novas, e denominando todos eles como "sombras".

 

 

Mas, o sábado está em jogo? E se estiver, será que foi relegado ao status de “sombra”?

 

O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia diz: “O tipo de sábado em questão é descrito através da seguinte frase: ‘que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo’ (Colossenses 2:17). A recorrência do Sábado semanalmente é o memorial de um evento do início da história da terra... Por isso, os “dias de Sábado” que Paulo declara serem sombras que apontam para Cristo não se referem ao Sábado semanal, designado pelo quarto mandamento; eles apontam para as cerimônias de dias de descanso, que alcançam sua plenitude em Cristo e Seu reino” (vol. 7, p. 205, 206). A dificuldade desta explicação está no fato de que é circular, e exclui o Sábado baseado em nosso próprio entendimento deste dia. Isso não seria o suficiente. Se o Novo Testamento declara que o Sábado é uma sombra, devemos estar abertos a isso.

Em seu livro “Julgando o Sábado”, o teólogo adventista Ron Du Preez explica de forma muito mais clara que os “dias de Sábado” desta passagem, são de fato, os dias de cerimônia.

Citando a estrutura quiástica usada por escritores hebreus, Du Preez aponta para Oséias 2:11, que divide as festas judaicas anuais em duas categorias: "dias de festa" e "sábados". Se, por uma questão de argumentação, o sábado semanal estivesse em questão aqui, isso significaria que ele foi cumprido junto com as festas e luas novas? Não necessariamente. Sempre que encontrarmos uma seqüência de festas, luas novas e sábados no Antigo Testamento, quase sempre estarão dentro de um contexto específico: sacrifícios. Ezequiel 45:17, por exemplo, diz o seguinte: “E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de alimentos, e as libações, nas festas, e nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel. Ele preparará a oferta pelo pecado, e a oferta de alimentos, e o holocausto, e os sacrifícios pacíficos, para fazer expiação pela casa de Israel.” Essa passagem, e outras como esta, usa os mesmos termos-chave usados em Colossenses 2: alimentos, libações, festas, luas novas, sábados. O contexto é sacrifício. Então, o que Paulo quis dizer quando mencionou a “sombra”, em Colossenses 2:17? A maioria dos estudiosos argumenta que as sombras são as festas, luas novas e sábados. Mas a lua nova não pode ser uma “sombra”, porque esta não possui um significado religioso em si mesma. O único significado da lua nova é a sua relação com sacrifícios. Ao invés disso, a sombra deve se relacionar com o que todos esses dias especiais tinham em comum: os sacrifícios oferecidos nessas datas. Há apoio para a ideia de que “sombra” refere-se a sacrifícios? Sim. As duas outras referências do Novo Testamento `a palavra “sombras” encontram-se em Hebreus. “Ora, se ele estivesse na terra, nem tão pouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei,
Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou” (Hebreus 8: 4 e 5). A segunda passagem diz o seguinte: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam.

Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado.
Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados,
Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.
Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste” (Hebreus 10: 1-5).

 

Em um tempo em que sacrifícios ainda eram oferecidos em Jerusalém (até pelos primeiros cristãos), Paulo entendeu que a era dos sacrifícios já havia terminado. Os sacrifícios eram apenas sombras para algo melhor que viria: o corpo de Cristo, para o qual o Sábado semanal permanece como símbolo perene de nossa salvação. Descanse nEle. 


Este artigo foi publicado originalmente na revista Adventist Review, em Agosto de 2010.

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