Espiritualidade

Sábado

Encontrando o Rítmo de Deus

Encontrando o Rítmo de Deus

O Sábado Como Um Sinal de Salvação

Dennis Meier

Ainda me lembro de seu semblante intrigado diante de mim. Durante uma semana, viajamos pelo sul da França com nosso grupo de estudo da igreja. O propósito da viagem era explorar a história dos Huguenotes que foram martirizados por sua fé protestante.

 

Ela havia sido nossa guia turística e tinha muito conhecimento sobre assuntos como história, religião e cultura. Apesar de ter sido exposta a várias tradições cristãs através de seu trabalho, a guia ainda era ateísta. Havíamos desenvolvido uma linda amizade, e no último dia, ela mostrou-se interessada em saber mais sobre os adventistas. Fazíamos parte de uma porção estranha e intrigante em sua coleção denominacional. Ela perguntou o que fazia do Sábado um dia tão importante, e a razão de sermos tão teimosos e obstinados acerca de uma questão tão pequena e desimportante. Tentei explicá-la porque o Sábado é tão importante e sagrado. Não obtive sucesso. Ela não conseguia entender a razão pela qual um dia da semana precisava ser diferente dos outros. Por isso, ela exibia aquela expressão intrigada da qual me lembro tão bem.

 

Provavelmente, a lembrança desse olhar me seja tão clara porque foi dolorosa. Precisei me perguntar mais uma vez: “Será que sou apenas mais um religioso estranho e intruso?” Essa não seria a última vez que eu receberia esse olhar, porque é uma expressão muito usada por pessoas secularizadas, que vivem eu seu próprio mundo “relativo”. Também descobri outra coisa: Lembro-me tão bem daquela expressão porque me identifiquei com ela. Cresci no mundo secular; fui `a escola e fui moldado por ela. Em muitas áreas de minha vida, vivo e penso de maneira semelhante a uma pessoa pós-moderna.

 

 

 

Tradição ou Identidade?

 

 

Será que nós, os adventistas, guardamos o Sábado simplesmente porque isto tornou-se uma tradição? Ou será que o guardar do Sábado tornou-se a marca registrada dos adventistas? Qual é então, a relação entre tradição e identidade? Será que nossa compreensão da verdade ficou estagnada nos anos de 1900? Felizmente, acredito que para a maioria dos adventistas, o Sábado não é simplesmente uma tradição ou um recurso de identidade.

 

 

 

Em Mateus 13:44, Jesus conta a parábola do tesouro escondido. Um fazendeiro trabalhador encontrou o tesouro enquanto trabalhava. Foi uma descoberta inesperada, por acaso. Ao nos recordarmos como os primeiros adventistas descobriram o Sábado, perceberemos que há muito em comum com o fazendeiro da parábola. Foi uma descoberta por acaso, de uma verdade bíblica que por alguma razão, ficou enterrada e escondida por muito tempo. Nossos antepassados espirituais “compraram” esse tesouro. Muitos de nossos irmãos e irmãs pagaram e continuam pagando um alto preço pelo tesouro que é o Sábado.

 

 

 

 

O Rítmo de Deus

A música é muito importante para a vida humana. O rítmo é o coração da música, e em certo sentido, o Sábado é o rítimo do tempo que governa e movimenta cada aspecto de nossa vida. Uma orquestra ou uma banda podem tocar músicas rápidas ou lentas. Elas podem variar no andamento, mas se você tentar cantar e bater palmas com a música, é preciso seguir o ritmo com atenção. Tudo tem a ver com o momento certo.

 

Jesus usa a parábola do tesouro escondido como uma metáfora para o reino de Deus e o evangelho. Seria muito fora de contexto comprar o Sábado ao reino de Deus? Ou, colocando de outra forma, não existem acusações de que a teologia do Sábado tornou-se uma exigência para a salvação? Para clarificar esse ponto, não acredito que precisemos guardar o Sábado para sermos salvos. Essa não é a teologia adventista. A salvação vem através de Jesus Cristo.

A Salvação e o Sábado

Alguns cristãos acreditam as únicas questões que realmente importam são as “questões sobre salvação”.

Mas se seguíssemos essa lógica, o discipulado se tornaria desimportante, já que um discípulo é alguém que já foi salvo, e por causa disso, começa a viver sua vida em torno da vontade de Deus. Um discípulo também ora conscientemente pedindo que “seja feita a Tua vontade” (Mateus 6:10), e então, depois dessa oração, está preparado para descobrir e praticar a vontade de Deus. Essa conclusão nos trás de volta para a salvação. Observando as escrituras, acredito que é da vontade de Deus que vivamos de acordo com o Seu ritmo. É importante salientar que devemos andar no ritmo de Deus, e não no nosso. Não devemos decidir, como muitos cristãos acreditam, em qual dia ou momento devemos descansar. Deus é quem faz esta decisão. Em termos teológicos, este processo é chamado de justificação pela fé. Ele significa que “seja feita a Tua vontade, e não a minha. O Teu método, e não o meu. A Tua justiça e não a minha, Jesus.”

Dois eventos bíblicos ilustram esse conceito de forma clara.

1.     Gênesis 2:2 mostra que Deus descansou (literalmente: “sabateou”), abençoou e santificou o sétimo dia. Naquele momento, a humanidade existia há somente um dia, pois os seres humanos entraram no palco da vida apenas no sexto dia. O sétimo dia de Deus foi o primeiro dia completo para a raça humana. Não havia a possibilidade de o casal se recordar de nenhum trabalho de jardinagem ou de “multiplicação”, simplesmente porque nada disso havia acontecido ainda. No primeiro Sábado, Adão e Eva desfrutaram dos trabalhos desenvolvidos por Deus, e não por eles mesmos. É por essa razão que o Sábado é o símbolo de salvação e justificação pela fé desde o início.

2.     Em seguida, há a revelação da lei. Moisés sobe nas encostas do Monte Sinai e recebe os Dez Mandamentos das mãos do próprio Deus. O sábado está dentro da lei. Mas a real questão está no fato de que Deus libertou seu povo primeiro e então revelou a lei. Primeiro aconteceu o êxodo, a salvação e então as leis, selando a aliança. Novamente, um exemplo de justificação pela fé.

Voltando `a história do tesouro escondido, Jesus diz que o tesouro é o símbolo do reino de Deus. Acredito que o Sábado também é um símbolo do reino de Deus. Assim como o batismo é um símbolo que, por si só não salva ninguém, mas funciona como uma forte e viva demonstração pública, o Sábado é o sinal de salvação de nossos dias. E o mais fantástico é que apesar das diferentes culturas, línguas, status sociais e  idades, há uma coisa em comum: as 24 horas e sete dias para todos.

 

O que minha guia turística teria dito perante isso? Ela descreveu eloqüentemente sobre a fé dos Huguenotes nos antigos locais históricos, enfatizando o fato de que devemos agradecer aos mártires por nossa liberdade religiosa e de pensamento; mas entendeu nossa guarda do Sábado como um passo retrógrado em direção `a Idade Média. Ela me ensinou que Jesus precisa ser o foco principal em nossa teologia do Sábado, já que não se pode entender o que é importante para um discípulo quando não se sabe a qual Senhor o discípulo segue. O Sábado não existe sem o Senhor dele. Ao invés de somente chamar pessoas para guardar o Sábado, vamos fazer com que a nossa guarda do Sábado seja uma bela propaganda de nossa redenção, e também do ritmo de Deus em nossa vida.

Esse artigo foi originalmente publicado na revista Adventist World, em Março de 2010.

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